Em vídeo, internauta questiona segurança de ponte sobre o Rio Uruguai


Um vídeo publicado no YouTube levantou suspeitas sobre a segurança de uma ponte localizada sobre o Rio Uruguai na BR-158, na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em mais de quatro minutos, as imagens mostram uma das juntas estruturais de dilatação da ponte movimentando-se de forma intensa com a passagem dos veículos.

O vídeo repercute nas redes sociais. Publicado na segunda-feira, já tem mais de 74 mil visualizações no YouTube. Zero Hora mostrou as imagens feitas por um internauta, entre Iraí, no norte do Estado, e Palmitos (SC), a especialistas e a opinião foi unânime de que a falta de manutenção é preocupante e oferece riscos.

Segundo o coordenador do curso de Engenharia Civil da Unisinos, Bernardo Tutikian, a movimentação entre as partes de uma ponte é esperada e o espaço existente (chamado de junta estrutural de dilatação) serve justamente para absorver e permitir estas movimentações. No entanto, ele aponta irregularidades:

— O que não é normal, e deveria ser recuperado urgentemente, é que este espaço não está preenchido. Deveria estar fechado, para evitar estes choques secos entre concreto e concreto, o que danifica a estrutura e vai quebrando partes, lascando — afirma o professor.

Tutikian ainda não descarta que, com o passar dos anos, se não houver manutenção, possa haver colapso na ponte:

— Com o tempo, a estrutura vai sendo fissurada internamente, fragilizando todo o elemento. E quando quebra alguma parte de concreto, a armadura fica exposta às intempéries, o que provoca a oxidação das mesmas e perda de capacidade resistente. Aí pode vir o colapso, mas após muitos anos.

A opinião é compartilhada pelo professor do Laboratório de Sistema de Transportes (Lastran) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em trânsito, João Fortini Albano.

— As filmagens demonstram que o estado geral de conservação da ponte é deficiente. Parece que ocorrem problemas nos apoios da superestrutura sobre os pilares. Isto, sem dúvida, deve ser verificado e avaliado pelo gestor ou especialistas em grandes estruturas — afirma Albano.

A reportagem entrou em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pela manutenção da ponte sobre o Rio Uruguai, mas ainda não obteve retorno.

Zero Hora

Douglas Biguelini – Jornalismo Grupo Chiru Comunicações